Nua arte

No meu último dia de Argentina, resolvi fazer compras. Mas nada de alfajores. Fui direto à livraria – a única da pequenina El Calafate. Charmosa, miúda, com ares de estar funcionando há pelo menos 60 anos e com uma senhora simpaticíssima à porta: era um convite para deixar todos os meus pesos lá. Meu objetivo era comprar livros para os amigos e algo para mim, e todos os itens tinham que ser genuinamente argentinos. Nada de Hemingway em espanhol.

Para os meninos, Jorge Luis Borges e Júlio Cortázar. Para mim, algo mais picante, que é exatamente o tema deste texto. Como de costume, fui direto à seção de HQs. Não procurava nada específico, então fui mexendo em tudo, fuçando. Eis que me deparo com uma prateleira, digamos, “para maiores”: graphic novels que traziam belas mulheres nuas na capa. Nada de putaria, mas sensualidade, erotismo. Achei incrível encontrar esse material. E explico: nada tem a ver com meus hormônios.

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Aragonés

Foi há 12 anos, quando comprei minha primeira MAD, que conheci o trabalho de Sergio Aragonés. Daquele momento em diante, esse cartunista espanhol passaria a ser o meu favorito incontestável. E olha que ele tinha “adversários” de peso, como Antonio Prohías, Dave Berg, Don Martin e Al Jaffee – outras quatro lendas dos quadrinhos.

Aragonés nasceu na Espanha, em 1937, e ainda pequeno se mudou para o México com a família, em fuga da guerra civil espanhola, que assolou o país de 36 a 39. Desde quando aprendeu a segurar um lápis, ele já demonstrou paixão pela arte. Na escola, quando os professores pediam alguma ilustração na lição de casa, Aragonés era assediado pelos amigos. Ele vendia sua habilidade por alguns centavos aos colegas que não tinham lá muito talento ou paciência para desenhar.

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O nerd sem medo

Raul tem dois sonhos na vida: conhecer a Amanda (ele jura que a mulher da sua vida se chamará Amanda) e trabalhar com quadrinhos. Raul ama quadrinhos. E ama pessoas que amam quadrinhos. E ama pessoas que conhecem pessoas que amam quadrinhos.

Desde que atingiu a puberdade e viu despontarem os primeiros fios de barba, Raul ouve que é velho demais para gostar de quadrinhos. Hoje, perto dos 30 e com muitos fios de barba, Raul se acha é jovem para deixar de gostar de quadrinhos.

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MAD

Sou fã de quadrinhos, mas não acompanho de perto os lançamentos. Tenho centenas de revistas em casa, de várias editoras, desde as HQ de todos os super-heróis possíveis até Glauco, Angeli, Laerte, Henfil. Mas tenho poucas séries completas. Durante a infância e adolescência, comprei muitos números soltos, sem me preocupar com os antecedentes nem procurar pelas edições seguintes. O único título que sigo religiosamente é a Revista MAD.

Minha primeira MAD foi aos 12 anos. Desde então, venho acumulando as revistas em todo lugar que posso (e que cabe), totalizando mais de 200 edições. E olha que perdi dezenas de números nestes 11 anos de coleção. Muita gente me pergunta por que gosto da MAD, principalmente depois de folhear as páginas rapidamente. Tenho algumas razões sensatas, mas a verdade é: vicia. Muito.

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