Yo ya te absolví

Reservei um dia da minha viagem a Havana para visitar – e deixar boa parte dos meus pesos – na famosa feira de livros da Plaza de Armas. Diariamente, dezenas de cubanos montam pela manhãzinha seus estandes e passam a tarde a pitar e iluminar turistas sobre as raridades literárias ali expostas. E quando falo em “raridades”, não exagero.

A primeira edição de “Las Venas Abiertas de America Latina”. A primeira edição de “El Diario del Che en Bolivia”. Livros assinados pelos próprios Raúl e Fidel Castro. A primeira edição de “La Historia me Absolverá” (que só não foi minha por falta de recursos). Enfim, aquilo é um museu aberto. E, em geral, bastante acessível.

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Abominável Mundo Novo

A literatura ficcional costuma nos levar a uma esfera distante, imaginária, da qual não nos imaginamos integrantes, afinal, são sempre “nossos netos” os escolhidos para participar desse futuro (nem sempre) promissor. Na maioria dos casos, a ficção científica, no cinema ou na livraria, é exagerada e caricaturada pela excessiva tecnologia que realiza basicamente as mesmas tarefas já conhecidas, apresentando apenas mais sofisticação estética. Entretanto, com o perdão do lugar-comum, toda regra tem sua exceção.

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Por dentro da penúria

Até pouco tempo, meu contato com George Orwell se resumia aos seus dois maiores clássicos, “1984” e “Revolução dos Bichos” (os quais, como é de se supor, figuram entre meus livros favoritos). Foi então que ganhei “Na Pior em Paris e Londres“, e me lancei ao trabalho de expandir meu repertório orwelliano.

Não dá para dizer que “Na Pior” é tão impactante (ou importante) quanto os best-sellers supracitados, mas garanto: é surpreendente. Aliás, talvez seja até injusto fazer comparações, visto que essa obra trata do mundo real, enquanto as outras duas são ficções, uma distópica e a outra satírica, respectivamente.

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A beleza do horror

Comprei Edgar Allan Poe por acidente. Quando cheguei à livraria e comecei a rodar aquela estante de pocket books, procurando por algum clássico que eu já deveria ter lido, avistei “O Príncipe e o Mendigo”, de Mark Twain. Peguei na mesma hora e fui para o caixa. Por azar (ou sorte), o livro estava com falhas de impressão (metade do livro de cabeça para baixo) e eles não tinham outro no estoque. Foi aí que entrou Poe. Como segunda opção, acredite.

Já tinha ouvido sobre esse americano, mestre do terror e precursor da ficção policial. São gêneros que muito me atraem, por sinal. Juntei, portanto, a curiosidade (nunca tinha lido nada do autor) e a minha predileção pelos temas com os quais ele trabalhava e comecei a leitura de “Antologia de Contos Extraordinários”. O livro reúne 13 contos (por que será?) dos mais cabeludos e assustadores já escritos por Poe.

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Frida

Do México para o mundo. A mulher que deu uns amassos no Trótski, que ostentava – com orgulho – monocelhas, que sobreviveu a uma barra de ferro atravessada pelo corpo. Arrisco-me a falar um pouco sobre Frida Kahlo, por quem me apaixonei gravemente durante a leitura de sua biografia, escrita por Hayden Herrera. E, claro, sobre o livro que me abriu os olhos para essa guerreira latina.

O livro “Frida – A Biografia” me foi dado no dia em que apresentei o meu TCC. Eu nunca fui um entusiasta da pintora, nem ao menos sabia muito mais do que aprendi no colégio sobre ela, e fiquei muito curioso para entender por que tinha recebido tal presente. Fui à luta e descobri uma artista de caráter, carisma e talento incomparáveis. Pena que tenha partido tão cedo.

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Asimov

Se você curte ficção científica, já deve ter ouvido falar de Isaac Asimov. Se não curte, também. O cara é mundialmente conhecido por ter criado as Três Leis da Robótica. “Robótica”? O termo também é de invenção dele. Esse é o verdadeiro “pica das galáxias”. Vamos falar um tiquinho só sobre o tio antes de chegar aonde quero.

Descobri há pouco tempo o quão foda esse cara foi. Morreu aos 72 anos em 1992 e deixou como legado nada menos do que 463 obras. Ele tinha o objetivo de chegar às 500, mas infelizmente não teve tempo. O fato é que Asimov era muito mais do que robôs, robótica, três leis, cérebros positrônicos. Ele escrevia e estudava praticamente sobre tudo!

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