Breve diálogo

– Tenho visto tanto ódio e intolerância. Ando desesperançado.

– Ora, isso não acontece de 24 anos pra cá. Antes da escrita já era assim, e o será ainda quando os carros voarem pelo céu. Explica-me: por que te incomodas?

– Tudo que tenho é esta existência. Os crimes do passado não são meus, mas os de agora recaem sobre mim ainda que não seja eu a empunhar a arma. Se faço parte desta sociedade doente, sou tão enfermo quanto ela. Gostaria não só de me redimir, mas de facilitar a salvação dos que virão.

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Entorpecimento constante

Na varanda de seu apartamento recém adquirido ele chora. Sentado no banco ainda com o plástico protetor, pensa, desesperadamente pensa. Sua mulher já adormeceu na sala. Seu filho, ainda acordado, assistindo desenhos na televisão, não imagina a dor que sente; e ele espera que nunca sinta, que ele trilhe caminhos diferentes.

A vida naquele casa pulsa a sua volta, a sua construção, o seu ideal de vida, tudo parecia perfeito, normal. Tudo parecia correto. Mas por algum motivo não está, alguma coisa lhe falta.

Ele toma sua quarta dose de whisky… Já se sente um pouco embriagado, não é mais o mesmo. Sua consciência é abalada facilmente nos últimos tempos. Se sente suscetível às forças externas. Quase sempre mais fortes que ele.

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Ser humano

Caminhando devagar, olhamos nossos pés andando por essa estrada, nada pode nos parar, não há mais nada aqui além da nossa vontade. Queremos evoluir, deixar de vez as ilusões que nos tentam, dominá-las para enfim as mandarmos embora.

O caminho que eles estão nos impondo está nos matando aos poucos. Coisas, coisas e mais coisas. Eles querem nos transformar em um amontoado de coisas. Quanto mais nós nos afastamos de tudo isso, mais nos aproximamos da verdade. Interiorizamos os sentimentos, as ideias, clareamos o pensamento durante essa busca solitária; somos solitários auto-exploradores.

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