Todo querer

De repente fui tomado de vontade. Tanta vontade e determinação que poderia começar, neste momento, aquela pós que estou postergando, poderia me inscrever na academia agora, às duas da manhã. Ou, melhor ainda, poderia pegar meu carro e cair na estrada, como há tanto tempo venho planejando e jamais agarro meus colhões e me ponho a fazê-lo.

É uma sensação das mais estranhas e surpreendentes que podem lhe acometer. Sabe, são duas da matina e eu tenho de levantar logo, para estar na porra do plantão. Mas foda-se. O dia que começa hoje também acaba hoje. O amanhã não existe. O presente é a única coisa tangível, palpável. Pois enchi meu copo. Whisky. Doze anos. Sem gelo. Nos fones, o melhor do blues da década de 60.

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Eu, eu mesmo e Thyago

Eu falo sozinho. Sempre que confesso isso a alguém, a pessoa replica: “Ah, eu também!”. “Mas calma, você não entendeu”, eu continuo. “Eu realmente converso comigo mesmo, discuto, debato!”. Só aí meu interlocutor corta o sorriso, arregala um tanto os olhos e faz aquela cara de “Ok, me explique isso direito”.

Não sei exatamente quando a mania (se é que posso chamar assim) começou, mas certamente foi na infância. Também não sei apontar motivos concretos para a sua aparição, mas talvez tenha algo a ver com o fato de eu ter sido uma criança muito sozinha. Então eu devo ter matutado: “Para que criar um amigo imaginário se eu tenho um de carne e osso?”. Pronto, começava a esquizofrenia.

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Na estrada

Eu conheci cores, sabores, temperaturas, pensamentos, vontades. Passei por ruas, cidades, campos, estradas, montanhas e trilhas. Peguei carona com velhos, com jovens, com problemáticos, normais. Trilhei meu caminho com pessoas, me desvencilhei dos vícios, errei de caminho inúmeras vezes, fiquei sozinho.

Curti o momento, o silêncio, pequei escondido, ninguém soube. Transpus os limites, menti para os outros, enganei minha consciência, inúmeras vezes; errei.

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Eu, comigo – Parte II

Depois da impetuosa viagem descrita em Eu, comigo, resolvi dar cabo de outra empreitada – menos ousada, mas tão inédita quanto. Já vinha adiando essa tarefa há tempos, com um medo que mais tarde foi devidamente justificado.

Num sábado tedioso, quando já tinha visto todas as séries e filmes possíveis, e quando já não aguentava mais olhar pro PlayStation 3, tomei coragem: “Vou ao cinema!”. “Mas que desafio há nisso?”, você me pergunta. Fora as poucas opções de filmes decentes? Ir sozinho.

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Eu, comigo

Depois de quatro finais de semana trancado em casa ruminando minha depressão, resolvi que era hora de tomar um banho, ajeitar a barba e ver o Sol (e que Sol, cacete!). Peguei o carro, joguei umas roupas na mochila e fui. Foi a primeira de várias viagens que quero começar a fazer. Concluí que tenho pouco tempo e muita coisa pra conhecer.

Como decidi de repente, fui para um destino conhecido, em que sabia o que fazer e onde ficar. Um hostel em São Sebastião, quarto compartilhado. Mas, o mais importante: sozinho. Nunca tinha viajado sozinho antes. Ou tinha gente comigo ou no lugar para onde estava indo. Desta vez não. Eu precisava (e ainda preciso) ficar sozinho.

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