(Novo) Tempo

Peguei-me pensando em como medimos o tempo. “Já faz 3 anos que me formei na faculdade”. Ou então: “Já faz 7 anos que me formei no colégio”. E quando não nos voltamos para o passado, apontamos para o futuro: “Faltam-me 6 anos para os 30”. Ou ainda: “Onde quero estar aos 40?”.

Mas que olhos de águia, os nossos! Vemos sempre à distância, desenterramos fatos há muito idos ou então vislumbramos sonhos e promessas a serem cumpridas nos anos que virão. Mas e se eles não vierem? Ou se vierem tortos, tomados de intensa dor ou de absoluta felicidade? Manteremos os planos primeiros? Aqueles feitos de dias cinzas, de contra-cheques, de viagens parceladas, de contagens regressivas para os finais de semana, de self-services e de semáforos demorados?

Sabem como quero contar meu tempo? “Faz um minuto que te vi sorrir”. “Falta um segundo para eu te beijar”. “Quero estar ao seu lado esta noite”.

Tempus regit actum

Eu não quero te despedaçar, eu não quero te desiludir. Não vou te amarrar, te amordaçar. Mas você não me dá opção. Você não se dá escolhas. Me use com o devido respeito.

Me guie em seu caminho. Não nos faça sofrer em vão. Saiba que eu sou apenas um. Saiba que eu não vou te perdoar!

Se sabe como eu ajo, por que não aprende? Como não me usa a nosso favor? Você já sabe como funciona. Até ontem, meu caro, nada sabíamos… Mas hoje, já sabemos o suficiente.

– A sua eficácia ultrapassa todas as barreiras. Tentamos e fingimos entendê-lo. Mas, na realidade, é ele que não nos entende.

Ainda não

Ainda não. Agradeço teu apreço, teu olhar fugidio, mas sou desconcerto. Esquivo, aturdido.

Ainda não. Sou tropeço, vaso partido. Passado que se faz presente, momento eternizado, de tempo infinito.

Ainda não. Alimento cardos, cultivo daninhas. Cuido de jardim roto, sombrio. Colhe teu fruto em solo sadio.